Ler ou não 50 tons de cinza? Resenha…

Olá pessoas.

O assunto de hoje é a trilogia mais polêmica e famosa dos últimos tempos!

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Havia ouvido muito falar do livro, mas, só fiquei realmente curiosa para ler após ouvir o comentário de uma colega “Pulei todas as partes picantes… É uma história de amor bonitinha! Ela vai mudando ele…”

Oi?! Pelo que sabia, a fama do livro não era exatamente esta.  O que ela estava querendo dizer que não leu? Teria ela mesmo pulado estas partes? Decidi ler e tirar as minhas conclusões. E outras perguntas surgiram.

A estréia da inglesa E L James virou febre mundial. Mas qual a razão de todo esse sucesso?

50 shades of grey whats so great

“Sério meninas, o que tem demais nisso?”

 

Tentarei dar minha opinião a respeito disto. Para aqueles que não gostam de estragar a surpesa da leitura, advirto que este ensaio de resenha contém spoilers (elementos que revelam partes da história), pois falarei dos 03 livros de forma geral.

Ambientando

A primeira coisa que você precisa saber sobre o livro: ele era uma fanfic (texto feito por fãs, em continuação ou re-elaboração de uma obra original) do Twilight, o Crepúsculo. Circulava apenas online e se chamava “Master of the Universe”.

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Print do site onde a fanfic era postada.

 

Anastasia Steele tem quase a mesma descrição de Bella (do Twilight), desajeitada, atrapalhada, uma menina absolutamente comum, que agora está se formando e ainda é virgem.

Christian Grey, por sua vez, se assemelha muito à Edward (do Twilight). Família formada somente por filhos adotivos, e, além de belo e misterioso, é um poderoso milionário responsável por apresentar um novo mundo à Anastasia, o dos jogos sensuais.

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Você tem alguma idéia de quanto a quero, Bella Swan? Você tem alguma idéia do que vou fazer com você? (Falas do 50 tons, adaptado em cena do Twilight)

 

Para quem leu ambas as séries, não é difícil localizar mais semelhanças (por exemplo, uma corrente elétrica passa entre Ana e Grey quando se tocam, como ocorre com Bella e Edward, José Rodriguez tem a pele quente, como Jacob, entre várias).

Conto de fadas moderno…

A estrutura do texto tem a mesma forma de alguns contos-de-fada: príncipe, princesa, conquista, conflito e viveram felizes para sempre. Claro, numa roupagem moderna, e completamente ambientado para os dias atuais. A novidade apresentada nele, e o que desperta tanto interesse, é o apelo erótico.

Christian Grey seria o sonho de consumo de muitas e muitas mulheres. Lindo, cem por cento atencioso, devotado, e, para completar,  milionário dono de um império por todo território dos EUA. Anastasia é uma “pobre mortal” (rs), menina comum, que, por acaso do destino, encontra o príncípe Grey, que sem nenhuma razão em especial, enlouquece por sua causa.  Salvo o “pequeno detalhe” de ser um sádico e ter prazer em dar umas boas palmadas, ele seria perfeito.

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E é aí que entra o papel da mocinha, “curá-lo”. Quantas e quantas mulheres sonham em mudar um homem e deixá-lo perfeito a seu gosto (e quantas já se decepcionaram!). Seria nosso inato instinto maternal, de cuidar e proteger que nos impeliria a isto? Bom, deixo a questão para os psicólogos.

Fato é que, ao final da leitura do primeiro livro, pensei “uau, agora ela assina esse contrato (sim, existe um contrato sobre até onde ele pode ir com ela) e  vira mesmo a submissa – e faz juz à fama do livro – ou a dominatrix que colocará esse Grey no chinelo. A coisa toda deve se resolver lá terceiro“. Mas, contrariando as expectativas, a história vai se tornando um romance clichê, com direito à casamento, e, gravidez.

No final do segundo livro, quando faltava apenas escrever “e viveram felizes para sempre”, colocando um ponto final na coisa toda, somos de fato introduzidos a outros conflitos, com direito à perseguição assassina do ex-chefe de Ana e problemas com as ex-submissas de Grey. Elementos novos em uma história que aparentemente tinha tudo para acabar! Um drama quase que mexicano.

O que mais faltava aparecer? Eu me perguntava onde aquilo tudo iria parar… Pensando bem, talvez esse seja mesmo um dos méritos do livro – não teria feito tanto sucesso se não tivesse algum mérito. O leitor fica curioso a saber onde aquilo tudo termina, ou melhor: o que mais há para se contar?

BDSM

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Aqueles que iniciam a leitura a espera de rock´n´roll logo de cara, podem cair do cavalo! Primeiro, porque a primeira descrição mais hot vem após cem páginas no 1º livro. Segundo, o próprio conteúdo erótico pode tornar a leitura aborrecida. Repetitivo e descritivo demais (cada movimento é bem detalhado).

De outro lado, a temática BDSM (sigla para bondage, dominação, disciplica, submissão e masoquismo), que é um dos chamarizes do livro, é tratada de forma bem superficial e introdutória. Isso pode levar a uma imagem demasiado branda de uma prática que é, por vezes, bem agressiva. Mas florear as coisas é comum no livro. Se quiser encarar a leitura, acostume-se.

Ler ou não?

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O momento que seu terapeuta diz que Christian Grey não é de fato uma pessoa real.

Não se assuste com o calhamaço de 400 e tantas páginas. É um livro simplista, com linguagem de fácil apreensão, e por isso, de leitura rápida. Entretanto, não podemos dizer que seja um livro de grande “valor”  literário. Não é. Tem seus méritos, e, apesar de todas as incongruências e distancimentos da lógica, ainda nos perguntamos qual será o desfecho da história.

Já vi algumas pessoas abandorem essa leitura no meio. Além de algumas páginas se arrastarem, alguns não se sentem à vontade com a história. “Ver” a personagem apanhando e sofrendo com a ansiedade e os sofrimentos impingidos a ela, pode causar um certo mal estar. Se você tem estômago fraco e não suporta ler que alguém levou umas boas palmadas, escolha outro livro.

Pessoalmente, eu não leria novamente. Não o considerei nenhuma obra primora, mas, se ficarem curiosos, tentem ler. Afinal de contas, o sucesso não seria tão grande se não tivesse algo que agradasse a um grande público.

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One Response to “Ler ou não 50 tons de cinza? Resenha…”

  1. Débora disse:

    Ainda não tenho vontade de ler essa coleção…

    Beijinhos.

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